Famílias denunciam precariedade no atendimento no Hospital Santa Marcelina de Itaquera, Zona Leste de SP

Situação Crítica no Hospital Santa Marcelina

O Hospital Santa Marcelina, localizado em Itaquera, zona leste de São Paulo, é uma instituição com uma longa história dedicada ao atendimento de saúde, tendo sido fundado em 1961. Entretanto, atualmente apresenta uma situação crítica com relatos de superlotação e insatisfação generalizada. Os familiares dos pacientes denunciam condições inadequadas que comprometem não apenas o atendimento, mas também a saúde e o bem-estar dos internados. A pressão sobre o sistema de saúde tem se intensificado, especialmente no contexto da alta demanda por atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que representa quase 90% dos atendimentos da unidade.

Falta de Leitos e Profissionais

Uma das principais queixas das famílias é a falta de leitos e profissionais no hospital. Muitas vezes, pacientes com condições graves são colocados em áreas não projetadas para internação, como a chamada “sala verde”, enquanto aguardam por leitos adequados. Isso não apenas aumenta o sofrimento dos pacientes, mas também gera riscos de complicações de saúde, uma vez que a assistência médica adequada fica comprometida.

Além da escassez de leitos, o hospital enfrenta uma escassez crítica de profissionais. A falta de médicos, enfermeiros e anestesistas, por exemplo, tem sido um fator determinante para o cancelamento de cirurgias e atrasos em atendimentos emergenciais. Famílias relatam que seus entes queridos esperam horas em macas quebradas e sujas, sem condições dignas para um tratamento de saúde.

precariedade no Hospital Santa Marcelina

Impactos da Superlotação na Saúde

A superlotação nos hospitais não é um fenômeno isolado do Santa Marcelina, mas reflete uma crise mais ampla na saúde pública brasileira. As consequências diretas da superlotação em um hospital incluem:

  • Aumento do tempo de espera: Pacientes muitas vezes esperam horas ou até dias por atendimento e procedimentos cirúrgicos, o que pode agravar suas condições de saúde.
  • Redução da qualidade do atendimento: Com o número elevado de pacientes, os profissionais têm dificuldade em oferecer a devida atenção e cuidado necessário, levando a um atendimento impessoal e, muitas vezes, negligente.
  • Estresse emocional: Tanto os pacientes quanto os familiares enfrentam um forte estresse emocional ao testemunhar as condições precárias de atendimento e a limitação de recursos disponíveis.

Experiência de Famílias de Pacientes

A vivência de familiares de pacientes internados no Santa Marcelina é marcada por angústia e frustração. Relatos de aneis da experiência de Amanda Fidelis, que encarou a dificuldade de acompanhar sua filha, Larissa, no hospital. Desde a cesárea complicada, onde Larissa ficou internada sem poder ver sua filha recém-nascida, a situação em que se encontram é desesperadora. Não apenas a separação entre mãe e filha causa dor, mas a condição da saúde da mãe se mostra crítica em um hospital com pouca assistência.

Outro relato impactante é o de Kátia Santos, mãe de uma paciente oncológica, que vivenciou a agonizante experiência de sua filha permanecendo 13 horas em uma maca do SAMU no corredor. Kátia expressou sua indignação e desespero, afirmando que a falta de acompanhamento adequado e de leitos dignos compromete a saúde de sua filha.

Condições Inadequadas para Internação

As condições de internação no Hospital Santa Marcelina têm sido objeto de denúncia constante. Famílias têm reportado macas sujas e quebradas no lugar de camas hospitalares apropriadas. Essa situação é alarmante, uma vez que um ambiente de hospital é esperado para oferecer não apenas tratamento, mas também conforto e segurança aos pacientes.

A ausência de um ambiente hospitalar adequado pode acarretar sérias consequências, incluindo infecções hospitalares, agravamento do estado de doenças e impacto significativo na recuperação dos pacientes. Portanto, o hospital deve reavaliar suas condições físicas para que se adequem aos padrões exigidos para uma instituição de saúde.



A Luta por Atendimento Digno

A luta por um atendimento digno no Hospital Santa Marcelina reflete um apelo mais amplo por melhorias na saúde pública no Brasil. É necessário um investimento maior por parte do governo e da administração do hospital para garantir que os pacientes tenham acesso a um atendimento de qualidade e serviços básicos de saúde.

Os relatos de pacientes e seus familiares clamam por ações efetivas, como:

  • Ampliação de leitos: Aumentar o número de leitos disponíveis para atender à demanda crescente da população.
  • Contratação de mais profissionais: É fundamental a contratação de mais médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde para garantir que todos os pacientes recebam a atenção de que necessitam.
  • Melhoria das condições estruturais: Investir na infraestrutura do hospital, proporcionando ambientes adequados e limpos para internamentos e procedimentos cirúrgicos.

O Papel do SUS no Hospital Santa Marcelina

O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel vital na gestão e operação do Hospital Santa Marcelina. Cerca de 90% dos atendimentos são realizados pelo SUS, o que intensifica a pressão sobre os recursos e serviços oferecidos pela unidade. O contrato firmado entre o hospital e o governo estabelece que a unidade deve atender a população atendida pelo SUS, mas a falta de recursos adequados tem gerado conflitos entre a demanda e a capacidade de entrega do hospital.

Um estudo recente mostrou que o financiamento inadequado e a subutilização de recursos são algumas das principais causas das falhas enfrentadas por hospitais que prestam serviços públicos. Além disso, a entrega de R$ 156 milhões anualmente pelo governo nem sempre se traduz em melhorias visíveis nas condições de atendimento ao paciente.

Complicações Pós-Cirúrgicas Não Tratadas

As complicações pós-cirúrgicas estão se tornando uma preocupação crescente no Hospital Santa Marcelina, com relatos alarmantes de cirurgias sendo canceladas devido à falta de anestesistas. A saúde dos pacientes afeta não apenas aquele que está em tratamento, mas também suas famílias, que vivenciam a angústia e a incerteza sobre o futuro de seus entes queridos. O cancelamento de cirurgias pode levar a um prolongamento inesperado em internações, aumentando as taxas de mortalidade e complicações.

Além disso, os procedimentos emergenciais são frequentemente adiados, comprometendo a recuperação de pacientes com necessidades urgentes. É fundamental que o hospital busque mecanismos para garantir a disponibilidade de todos os profissionais e equipamentos necessários para as cirurgias, a fim de evitar riscos à saúde e ao bem-estar dos pacientes.

Comunidade em Alerta

A situação do Hospital Santa Marcelina gerou uma mobilização na comunidade, com apelos para que as autoridades tomem providências a respeito das condições precárias enfrentadas pelos pacientes. O apoio comunitário é vital, uma vez que amplifica as vozes dos que estão silenciados pelo medo ou pela frustração. Membros da comunidade se organizam para pressionar o governo e os responsáveis pela administração do hospital a melhorarem as condições de atendimento.

Esse esforço envolve também a conscientização de outros cidadãos sobre a importância de exigir serviços de saúde de qualidade e condições de atendimento adequadas. A solidariedade e o apoio mútuo podem melhorar as condições não apenas do hospital, mas da saúde pública como um todo.

A Resposta do Hospital às Denúncias

Em resposta às denúncias sobre as condições de atendimento, a administração do Hospital Santa Marcelina emitiu notas alegando que as complicações de saúde apresentadas pelos pacientes são tratadas e que a alta demanda de atendimentos não necessariamente compromete a qualidade na prestação dos serviços. Entretanto, a visão apresentada pela direção contrasta com os relatos de famílias que enfrentam dificuldades em acessar atendimento adequado.

A transparência nas ações e uma comunicação mais aberta com a comunidade são fundamentais para restaurar a confiança da população no hospital. O hospital deve ter um compromisso genuíno em abordar as falhas identificadas e trabalhar ativamente para melhorar o atendimento prestado.