Boca de Cena 2026: Lugar de Memória

O que não podemos esquecer?

O evento Boca de Cena, que chega à sua quarta edição em 2026, convida o público a converter memórias coletivas em ações significativas. Em abril, o Sesc Itaquera reabre suas portas para esta iniciativa, reafirmando sua função como um espaço dedicado à experimentação, reflexão e interação nas artes cênicas.

Transformando memória em ação

A programação anterior, que até 2025 focava em dança e teatro, agora se expande ao adicionar o circo como uma nova linguagem, especialmente dirigida ao público adulto. Essa mudança reflete uma busca por um diálogo mais amplo com as manifestações contemporâneas da arte.

Um espaço de experimentação artística

O projeto Boca de Cena se destaca por sua natureza inovadora, premiando a criatividade e a originalidade ao trazer à tona o potencial transformador da arte nas relações sociais e na formação de identidades. Através dos espetáculos, busca-se não apenas entreter, mas também instigar profundos questionamentos sobre a sociedade.

Boca de Cena 2026

A nova edição e seus eixos curatoriais

Inspirada nas experiências anteriores, a edição deste ano troca o tema “O amor como ato revolucionário” pela relevância da memória como uma escolha política. Direciona-se para perguntas provocativas e essenciais: o que realmente não podemos esquecer ao olharmos para o passado?

Revistar o passado como ferramenta de reflexão

A curadoria, intitulada **“Lugar de Memória: Sobre o que não podemos esquecer”**, promove uma reavaliação do passado, não como uma mera nostalgia, mas como uma forma de analisar presente e futuro. A ideia é que a memória não é apenas um registro, mas um elemento em constante evolução e uma poderosa ferramenta de reflexão e alinhamento social.

Memórias silenciadas e narrativas invisibilizadas

Essa abordagem é crucial, já que a história frequentemente é contada a partir da perspectiva dos vencedores, enquanto experiências e vozes marginalizadas são frequentemente ignoradas. Ao questionar e trazer à tona essas narrativas silenciadas, o Boca de Cena se proposta a dar visibilidade a histórias que, de outro modo, permaneceriam na sombra.

A arte como meio de resistência

Os espetáculos selecionados para esta edição tratam a memória como um meio de resistência, cura e continuidade, podendo gerar tanto deslocamentos individuais quanto coletivos. As produções abordadas promovem um engajamento com questões históricas e sociais, fazendo do palco um espaço simbólico onde passado, presente e futuro convergem.

Programação diversificada e vozes múltiplas

De abril até outubro, o Boca de Cena apresentará um total de 12 espetáculos, abrangendo as linguagens da dança, teatro e circo. Cada obra será uma revisitação e uma nova abordagem à arte como forma de resistência e reflexão sobre a condição humana, incentivando o público a perceber o ato de lembrar como uma escolha consciente.



A importância da memória na construção coletiva

Entender a memória como um bem coletivo é um passo vital na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Ao destacar as memórias e experiências de diversos grupos sociais, o Boca de Cena busca formar uma narrativa mais inclusiva e abrangente.

Boca de Cena: um chamado à reflexão

Esta edição se estabelece como um convite à reflexão e à participação ativa do público na construção de um espaço onde a memória é celebrada e transformada em ação social. Os artistas e suas obras não apenas compartilham histórias, mas também incentivam um diálogo crítico sobre o que deve ser lembrado e o que foi omitido pela história.

Programação completa mês a mês

O evento contará com uma variada programação mensal, buscando engajar o público com diferentes formas de arte. As seguintes apresentações foram programadas:

abril

  • Dança: Teimar Até que Brote — Coletivos Corpo Aberto e Mulheres do GAU. Uma homenagem poética às agricultoras da zona Leste, enfatizando a transformação de abandono em vida.
  • Teatro: A Solidão do Feio — Cia. Os Crespos. Explora a vida de Lima Barreto, focando em sua trajetória literária.

maio

  • Dança: Outros Navios: Danças para Não Morrer — Com Mayk Ricardo. Reflete sobre a resistência nas danças, celebrando os afetos.
  • Teatro: Mural da Memória — LABTD. Uma obra sobre a justiça histórica e as vozes silenciadas pela ditadura.

junho

  • Circo: A Saga de um Palhaço sem Lona — Circo de Mão. Um palhaço explora questões de pertencimento.
  • Teatro: Para Mariela — Grupo Sobrevento. Aborda as experiências de crianças imigrantes da comunidade boliviana.

agosto

  • Dança: Arquivos Negros — Passos largos em caminhos estreitos — Cia. Pé no Mundo. Homenageia figuras históricas afro-brasileiras esquecidas.
  • Teatro: TYBYRA — Uma tragédia indígena brasileira — Com Juão Nyn. Baseado no primeiro caso documentado de LGBTfobia no Brasil, narrado em tupi-potiguara.

setembro

  • Dança: Desde que o mundo é mundo — Coletivo Calcâneos. Reflexão coreográfica sobre as permanências nas periferias.
  • Teatro: Espião Silenciado: Um ensaio — Cia. Teatro D’Água. A história de José Nogueira, uma metáfora dos silenciamentos históricos.

outubro

  • Circo: Contos de Cativeiro — Orum Aiyê Quilombo Cultural. Celebrando as narrativas afro-diaspóricas de ancestralidade.
  • Teatro: Trabalha_DORES — Zózima Trupe. Um espetáculo que discute a dignidade e os desafios cotidianos na pandemia.

O Sesc Itaquera, localizado na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1000, está aberto de quarta-feira a domingos e feriados, das 9h às 17h. Siga e acompanhe as novidades também pelo Instagram para mais informações sobre o evento e programação.