O que é a performance . percebendo .
A performance chamada . percebendo . é uma expressão artística inovadora que explora a intersecção entre percepção, memória e narrativa. Realizada por Andreza Aguida, uma artista com albinismo e deficiência visual, essa apresentação se concentra na experiência sensorial de uma mulher que enfrenta desafios visuais. Durante sua apresentação, Andreza oferece um percurso performativo que investiga e revela elementos da arquitetura ao seu redor, além da interação com o público, identificando os limites e potencialidades do espaço.
A trajetória de Andreza Aguida
Desde o início de sua carreira, Andreza Aguida tem se destacado por seu foco na autoimagem e nas relações entre a deficiência visual e as diferentes maneiras de perceber o mundo ao redor. Sua obra é caracterizada pela fusão de arte e acessibilidade, convidando o público a repensar a própria percepção e a vivência sensorial. Entre seus trabalhos notáveis, podemos citar . percebendo . (2022), Re-existência Brincante (2022) e Sereia do Futuro (2022), que refletem sua dedicação em ampliar as formas de expressão artística através de uma nova lente sensorial.
Explorando a percepção e a memória
Na performance . percebendo ., o público é convidado a explorar não apenas a própria percepção, mas também a memória e as narrativas pessoais que a cercam. A proposta parte do princípio de que a percepção atual se entrelaça com arquivos sensoriais que se constroem ao longo da vida. Isso transforma a experiência em um espaço de reflexão, onde cada espectador é chamado a trazer suas próprias vivências e emoções, contribuindo assim para a construção do evento.

A importância da audiodescrição
Audiodescrição é uma das ferramentas centrais dessa performance, representando um recurso que vai além da comunicação. Joelson Lima, responsável por essa narração em tempo real, transforma a audiodescrição em um ato poético e performativo. Ele descreve as experiências e as percepções de Andreza, ao mesmo tempo em que envolve o público em um novo espaço de escuta ativa, ativando memórias e reações emocionais entre todos os presentes. A audiodescrição não é apenas um acessório; é um meio de inclusão que conecta e cria um ambiente acessível a todos.
Como a performance envolve o público
Durante . percebendo ., o papel do público é altamente significativo. Cada espectador é instigado a perceber e arquivar suas próprias impressões durante a performance. Isso possibilita que cada um se torne uma parte ativa desse “arquivo vivo”, onde as emoções e as sensações são coletadas e compartilhadas de maneira única. A interação vai além da observação; ela transforma o ambiente comum em um espaço rico em significados e experiências coletivas.
O conceito de arquivo vivo na arte
Um dos conceitos centrais abordados na apresentação é o de arquivo vivo. Este termo remete à ideia de que cada percepção é registrada e interconecta-se com experiências pessoais e coletivas. Na performance, a ideia é que as memórias não são apenas recordações passadas, mas sim elementos dinâmicos que influenciam nosso entendimento do presente. Andreza e Joelson, juntamente com o público, colaboram na construção deste arquivo, onde cada interação se torna um fragmento que compõe o todo.
Colaborações criativas em . percebendo .
A interação das diferentes capacidades e experiências é um aspecto integral da performance. A colaboração entre Andreza Aguida, Joelson Lima e outros artistas é um exemplo de como a união de talentos e perspectivas diversas potencializa a expressão artística. Por exemplo, a participação de Robson Costa, que atua como consultor de Libras, contribui para a inclusão de mais uma camada de acessibilidade, trazendo a cultura surda para o centro do diálogo. Essa sinergia é fundamental para criar um espaço onde todos possam se sentir representados e engajados.
Impacto da acessibilidade na arte
A acessibilidade é uma componente vital na obra de Andreza Aguida, pois redefine como a arte pode ser apreciada e experienciada. A inclusão de práticas acessíveis não é apenas uma questão de garantir que todos possam participar, mas também de enriquecer a obra artística em si. O convite à reflexão crítica sobre o próprio ato de perceber gera um impacto profundo, tanto em artistas quanto em espectadores, questionando preconceitos e promovendo um entendimento mais amplo sobre a diversidade.
Eventos e programações de destaque
A performance . percebendo . tem sido exibida em várias programações e festivais significativos, como a Funarte Acessibilidança Virtual (2022), Sesc RJ Pulsar (2022) e a I Bienal das Amazônias (2023). Essas plataformas não apenas destacam a relevância do trabalho de Andreza, mas também abrem espaço para que a discussão sobre percepção e inclusão ganhe visibilidade e expansão no meio artístico.
Reflexões sobre o futuro da percepção artística
Ao contemplar o futuro da percepção artística, é essencial considerar como experiências como . percebendo . vão moldar novas narrativas e caminhos na arte contemporânea. O potencial de criar experiências sensoriais e interativas que provoquem o público a se engajar em um diálogo é imenso. A inclusão no processo criativo será cada vez mais necessária, e a arte deverá se adaptar e expandir suas definições, acolhendo vozes diversas e promovendo um entendimento mais profundo das experiências humanas.

